A+ A-

Notícias

terça-feira, 21 de julho de 2015

Medidas antidumping são tema de workshop

Evento disseminou informações para executivos e profissionais

 

O Brasil é o país que mais adota medidas de proteção à indústria local, com uma média de 30 a 40 medidas antidumping por ano. Ainda assim, apenas 43% das investigações deflagradas por solicitação de empresas prejudicadas por práticas desleais de importações resultam na aplicação de medidas de proteção. O baixo aproveitamento decorre, entre outras coisas, da dificuldade das empresas em coletar os dados necessários às investigações. Para ajudar a reverter o problema, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoveu na manhã de hoje (terça, 21/07), na sede da FIEB, o Workshop A Indústria e as Investigações Antidumping, voltado para executivos e especialistas em áreas como comércio exterior e consultoria jurídica.

 

“A medida antidumping não é solução para tudo, mas pode ser uma medida eficaz para dar novo fôlego àquela indústria ou segmento afetado pela concorrência desleal”, explica a gerente executiva de Negociações Internacionais da CNI, Soraya Roar, que veio a Salvador especialmente para participar do evento.  A gerente ressalta que o processo antidumping não é simples. “Não é só uma questão jurídica, é um processo que demanda o envolvimento de diversos níveis da empresa, da diretoria às áreas jurídica e de contabilidade, passando pelos consultores externos: formando este time e fazendo uma boa preparação é possível ter bons resultados”, ressaltou.

 

O dumping ocorre sempre que um fabricante estrangeiro coloca no mercado um produto a preços artificialmente baixos, menores que os praticados no mercado no país de origem. Quando uma empresa brasileira identifica a prática e se sente prejudicada, pode solicitar uma investigação do Departamento de Comércio Exterior (DECOM) da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).  Diante do parecer do DECOM, cabe à Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) decidir pela medida antidumping, que consiste na sobretaxação da entrada do produto no país.

 

De acordo com o coordenador geral do DECOM, Felipe Machado, as indústrias química e de metais estão entre os setores que mais sofrem com o dumping, além dos fabricantes de produtos como papeis, vidros e espelhos. O processo de investigação dura em média 10 meses. “É preciso muita disciplina das empresas para repassar os dados ao departamento com agilidade”, explica Felipe. “Há um grande volume de informações contábeis complexas; o que torna o processo difícil, sobretudo para as pequenas e médias empresas”, completa o especialista em Políticas e Indústria da CNI, Eduardo Alvim.

 

Salvador é a sexta capital a sediar uma edição do workshop A Indústria e as Investigações Antidumping, promovido pela CNI em parceria com o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em vários estados brasileiros. Durante o evento na FIEB, participaram ainda o vice-presidente da entidade, Josair Bastos, representando o presidente Antônio Ricardo Alban, e o coordenador do Conselho de Comércio Exterio (COMEX) da FIEB, Ângelo Calmon de Sá.